A artesã Raquel Motta do Amaral, conhecida pelo meme dos “três reais”, venceu um processo contra uma pizzaria que usou sua imagem sem autorização. A Justiça entendeu que o estabelecimento tentou lucrar com a popularidade do bordão e determinou o pagamento de indenização — embora o valor não tenha sido revelado.
O caso começou quando a pizzaria publicou, por meses, anúncios nas redes sociais associando a imagem de Raquel à venda de bebida alcoólica. Como não houve nenhum tipo de autorização, a ação foi parar no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Os desembargadores decidiram, por unanimidade, que houve uso indevido de imagem.
Para entender a dimensão do episódio, vale lembrar de onde surgiu o meme. Raquel participou do É de Casa, na Globo, e explicou que gastava apenas três reais para produzir carteiras feitas com caixas de leite. A reação de surpresa viralizou, reapareceu no Fantástico e se transformou em piada nacional.
Com o sucesso, Raquel viu suas redes sociais explodirem. Vieram pedidos, mensagens e até confusões. Por isso, mais tarde, ela precisou explicar que os “três reais” diziam respeito apenas ao custo do material — e não ao preço final do produto, que era vendido por R$ 15 dentro de um projeto social.
O trabalho, aliás, segue ligado ao Instituto Musiva e incentiva reciclagem e geração de renda em Vigário Geral, no Rio de Janeiro. Ou seja, o meme nasceu de uma ação educativa — e não de publicidade.
O julgamento deixa um recado claro. Meme pode parecer público, mas não é livre para uso comercial. Quando empresas ignoram esse limite, a conta chega — e vem pela Justiça.

